Cooperativa das Mariscadeiras de Salinas das Margaridas continua colhendo frutos de projeto realizado

Mariscadeiras_DSC08813Desde 2012, a Cooperativa das Mariscadeiras de Salinas das Margarida (COOMAS), formada por mulheres das comunidades de Conceição, Cairu e Barra do Paraguaçu, se destaca como exemplo de sucesso no ramo de beneficiamento e comercialização de sarnambi, siri, sururu, ostra, camarão e outros mariscos típicos da região.

Mas não foi por obra do acaso que a COOMAS chegou até aqui. A cooperativa é resultado do Projeto de Gestão Sustentável da Atividade de Mariscagem da Casa das Mariscadeiras e Organização Comunitária nas Comunidades de Cairu de Salinas, Conceição de Salinas e Barra do Paraguaçu, realizado pela OCS Brasil, que colaborou para a organização e formalização da atividade econômica mais tradicional da localidade.

 

“O projeto tinha como proposta estruturar a criação de uma instituição juridicamente constituída que permitisse formalizar a comercialização do marisco, com o objetivo de viabilizar a venda e otimizar o uso da Unidade de Convivência e Comercialização (UCC) e as Unidades Familiares de Beneficiamento UFB”, que já existiam, detalha o pedagogo Joel Silva, que levou para o projeto sua bagagem como especialista em organização comunitária, empreendedorismo social e economia solidária.

 

UM PASSO DE CADA VEZ – O projeto teve sua primeira etapa concluída em abril de 2013 e, graças ao sucesso das ações foi aditivado, o que permitiu sua continuidade por mais seis meses. Ao longo desse período, atravessou diversas etapas até culminar na fundação da cooperativa.

Na primeira etapa do projeto, as marisqueiras participaram de um curso básico de cooperativismo, que ajudou a esclarecer dúvidas como a diferença entre associação e cooperativa. O passo seguinte foi a realização de um grande seminário de integração quando elas decidiram criar a COOMAS. O segundo passo foi o cadastramento das marisqueiras interessadas, que resultou em cerca de 78 adesões.

 

“Nossa metodologia valoriza o ambiente local, o conhecimento empírico e a participação da comunidade”, destaca Joel Silva, lembrando que essa filosofia foi essencial para promover valores como cooperativismo, solidariedade e respeito às diferenças, minimizando os conflitos.

 

RUMO À INDEPENDÊNCIA – Para consolidar o trabalho, faltava apenas implantar diretrizes de organização administrativa e financeira, indispensáveis para o controle nos trâmites de compra e venda dos mariscos.

“No início elas tinham pouco entendimento e dificuldade de fazer contas. Hoje em dia elas estão mais independentes, mas continuamos dando apoio na gestão”, diz a contadora Rosinare Miranda, que segue prestando assistência voluntária, mesmo após a conclusão do projeto.

 

Juntando o resultado dessas atividades aos cursos e visitas a outras cooperativas, o caminho já estava pavimentado para a elaboração do estatuto social e realização da assembléia de fundação da Cooperativa das Mariscadeiras de Salinas da Margarida, que teve Carmem Silva como primeira presidente eleita.